quarta-feira, 30 de março de 2016

Ter com quem nos mata, lealdade


Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói, e não se sente;

É um contentamento descontente;

É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que se ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Luís de Camões

Ah o amor!!! Parecia a solução de tudo, um velho coração cansado de apanhar se vê diante da possibilidade de bater feliz e sorridente, mas, sempre tem um “mas” para trazê-la de volta à realidade e esfregar na cara que o seu coração foi feito para apanhar, não para bater, muito menos feliz e sorridente.

Ela ignorou todos os sinais de que não daria certo, tudo era possível de ser mudado, suportado, quanta pretensão achar que poderia mudar o cara só com amor, dedicação, lealdade... As pessoas não estão preocupadas com isso, parece cada vez mais difícil enxergar o outro, a tal síndrome do umbigo solar é uma praga que assola a maioria da população, consiste em achar que o mundo gira ao redor do próprio umbigo, só que não.

Ela tem lá seus defeitos, perfeição é chato, vamos combinar que um defeitinho as vezes enfeita a pessoa, tudo bem que ela tem defeitinhos e defeitões, mas quem não os tem? O importante é que apesar da imperfeição ela se dispunha a construir um futuro bom, mas infelizmente escolheu a pessoa errada, as vezes acontece.

O mal dessa moça foi ter se permitido amar, mudar de vida, se entregar. Coitada, pulou numa piscina vazia, o tombo foi feio, as feridas estão abertas e o tal amor ainda está lá, pra nada, só para lembrá-la do quanto é fraca e autodestrutiva.

O amor dói, uma dorzinha incomoda, contínua... dói ver o ser amado não amar de volta ou não enxergar o quanto é amado, ou pior, se aproveitar da segurança de ser amado para encobrir seus desvios.

“Ter com quem nos mata, lealdade”, isso vai minando o sentimento, o amor não deixa de ser amor, mas pode deixar de ser a razão para estar junto. A dor pesa no peito, apaga o brilho, afasta, esfria, quando se vê, o amor já não sustenta sozinho a relação.

Talvez todo engano tenha vindo das expectativas que a moça criou, mas ninguém vive de amor inventado, isso é coisa de poeta. Amor bom é o recíproco, verdadeiro, não é o falado nem escrito, mas o demonstrado, amor é atitude. Se as atitudes não mudam não é amor, é comodismo ou coisa que o valha.

Moça, moça, não desperdice seu amor, sua energia e sua dor com quem não investe nem tempo, nem o mínimo de carinho em você, não é carinho de afago, mas o de tocar seu mundo com delicadeza.


Colega, foco na lealdade, no amor próprio, amores inventados uma hora se desfazem como nuvem, até porque nunca existiram.