Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói, e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.
É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que se ganha em se perder.
É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata, lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
Luís de Camões
Ah o amor!!! Parecia a solução de tudo, um velho coração
cansado de apanhar se vê diante da possibilidade de bater feliz e sorridente,
mas, sempre tem um “mas” para trazê-la de volta à realidade e esfregar na cara
que o seu coração foi feito para apanhar, não para bater, muito menos feliz e
sorridente.
Ela ignorou todos os sinais de que não daria certo, tudo era
possível de ser mudado, suportado, quanta pretensão achar que poderia mudar o
cara só com amor, dedicação, lealdade... As pessoas não estão preocupadas com
isso, parece cada vez mais difícil enxergar o outro, a tal síndrome do umbigo
solar é uma praga que assola a maioria da população, consiste em achar que o
mundo gira ao redor do próprio umbigo, só que não.
Ela tem lá seus defeitos, perfeição é chato, vamos combinar
que um defeitinho as vezes enfeita a pessoa, tudo bem que ela tem defeitinhos e
defeitões, mas quem não os tem? O importante é que apesar da imperfeição ela se
dispunha a construir um futuro bom, mas infelizmente escolheu a pessoa errada,
as vezes acontece.
O mal dessa moça foi ter se permitido amar, mudar de vida,
se entregar. Coitada, pulou numa piscina vazia, o tombo foi feio, as feridas
estão abertas e o tal amor ainda está lá, pra nada, só para lembrá-la do quanto
é fraca e autodestrutiva.
O amor dói, uma dorzinha incomoda, contínua... dói ver o ser
amado não amar de volta ou não enxergar o quanto é amado, ou pior, se
aproveitar da segurança de ser amado para encobrir seus desvios.
“Ter com quem nos mata, lealdade”, isso vai minando o
sentimento, o amor não deixa de ser amor, mas pode deixar de ser a razão para
estar junto. A dor pesa no peito, apaga o brilho, afasta, esfria, quando se vê,
o amor já não sustenta sozinho a relação.
Talvez todo engano tenha vindo das expectativas que a moça
criou, mas ninguém vive de amor inventado, isso é coisa de poeta. Amor bom é o
recíproco, verdadeiro, não é o falado nem escrito, mas o demonstrado, amor é
atitude. Se as atitudes não mudam não é amor, é comodismo ou coisa que o valha.
Moça, moça, não desperdice seu amor, sua energia e sua dor
com quem não investe nem tempo, nem o mínimo de carinho em você, não é carinho
de afago, mas o de tocar seu mundo com delicadeza.
Colega, foco na lealdade, no amor próprio, amores inventados
uma hora se desfazem como nuvem, até porque nunca existiram.
