quarta-feira, 22 de julho de 2015

Entre o “social” e o auto respeito



A vida vai passando, as coisas vão mudando, e vivemos fases variadas. Tenho aprendido ao longo dos anos que eu preciso me respeitar.

A fase atual é a de não querer me explicar, talvez porque nem eu saiba a explicação. Quero estar cercada por pessoas às quais não devo satisfações, que não esperam que eu faça o que não quero só para fazer a social.

Se eu recebo um convite, imagino que seja facultativo aceitá-lo ou não e que, se no meio do caminho as coisas mudarem, eu também posso mudar a intenção. Por favor eu não aceito convocações, não sou obrigada a ir a lugar algum sem estar com vontade.

Se é para estar junto eu quero estar presente de corpo e alma e não só de enfeite para agradar me desagradando.

Mudo de opinião sim, meu compromisso maior é, e tem que ser comigo,  e isso não tem nada a ver com egoísmo, isso é respeito.

Não me explico mais, essa fase já se foi...


segunda-feira, 20 de julho de 2015

Em busca do “eu” perdido...



“A criança que fui chora na estrada, deixei-a ali quando vim ser quem sou. Mas hoje, vendo que o que sou é nada, quero ir buscar quem fui, onde ficou.”

Fernando Pessoa



Em busca do “eu” perdido...

Há poucos meses resolvi mudar, mas não fui adiante, não no sentido literal, fiz o caminho inverso, regressei, voltei para cidade de origem, voltei com algumas expectativas, alguns objetivos ainda nebulosos, mas que estavam inconscientemente claros.

Essa mudança se valeu da máxima “dar um passo atrás para dar dois à frente”.  Ao longo da vida a gente vai acumulando coisas e sentimentos. Alguns são mais objetivos e práticos, resolvendo as pendências tão logo seja possível, outros postergam, uma bobagem, pois algumas pendências ficam lá, só esperando o momento de ressuscitar.

Faço parte, na maioria das vezes, dos que postergam. Uma hora é preciso encarar de frente o que foi negligenciado, seja por vontade própria ou por preguiça.

Muita gente só enxerga retrocesso na volta, mas o retorno às origens, pelo menos no meu caso, tem mais relação ao resgate da identidade.

Tenho a impressão de que me perdi em alguns pontos do caminho, me perdi por não saber aonde ir e por me afastar da minha identidade, fui me tornando um arremedo de histórias inacabadas, algumas muito distantes do que fui e do que penso que sou.

Por mais dinâmica que seja a vida as pessoas tem uma essência, por mais asas existem raízes, por mais viagens existe um ponto de partida... As vezes é preciso voltar a um ponto mais próximo do início para recomeçar e ir além.

Não há arrependimento, as escolhas são feitas da forma que são diante das alternativas que estão disponíveis, num dado momento as alternativas podem ter sido escassas. E como nada é definitivo, novas escolhas sempre podem ser feitas, com um pouco ou muita boa vontade.

Nesse processo de retroceder para ir além há muito que se resgatar. A sorte é poder fazer o resgate a tempo de seguir adiante, um pouco mais leve, um pouco mais eu, um pouco mais aberta e menos defensiva.

Se achar não é fácil, se perder é num piscar de olhos, enxergar a perda e fazer o resgate é libertador.

Talvez não seja pra ficar, pode ser que seja só para seguir adiante, tudo depende do tempo que se tem...

O momento atual é de um dia de cada vez e esvaziando a mente do excesso tóxico acumulado.