segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Um lance é um lance, um lance não é um romance



Aí a pessoa chega, cheia de graça, te enche de elogios, faz o lance parecer a possibilidade de um romance. Assustada por tanto afeto em tão pouco contato, você dá uma sumida, em tempos de amores líquidos, lances e só lances, achar alguém com uma perspectiva diferente até assusta.

Pensando bem, se arrisca tanto em poços sem fundos por quê não dar uma surfada nessa onda? Nessa hora você destrava o coração e se permite um pouco mais. Tragédia anunciada! A pessoa continua o papinho romance, convite para vigem, pedido para te ver mais vezes, até se dá o direito a cortar o "vale night" do réveillon, tipo, “se ta me liberando para ficar com outras pessoas, você não está liberada”.

O lance fica com cara de romance, ninguém disse nada, mas o conteúdo dos encontros te induz a pensar que não é só mais um lance. Ledo engano...  Um lance é sempre um lance, não é romance.

Se sentindo enganada você revida, a tal da ação e reação. E ainda tem que ouvir que entendeu tudo errado. Ou as palavras mudaram de sentido ou você enlouqueceu.

Tem uma frase que diz que “carinho é tocar o mundo do outro com respeito”. Para mim isso implica em não criar expectativas, em não inventar romances onde nem lance tem, em não dar chance à pessoa de “confundir”.

O combinado não sai caro, caro é o embutido no preço sorrateiramente, que não teve acordo que nem foi cogitado. Um lance pode ser ótimo e recíproco, só que é melhor quando é claro.

Não venha com romance se você só quer um lance, alguém pode entender "errado" e se magoar.