Aí a pessoa chega, cheia de graça, te enche de elogios, faz
o lance parecer a possibilidade de um romance. Assustada por tanto afeto em tão pouco contato, você
dá uma sumida, em tempos de amores líquidos, lances e só lances, achar alguém
com uma perspectiva diferente até assusta.
Pensando bem, se arrisca tanto em poços sem fundos por quê não
dar uma surfada nessa onda? Nessa hora você destrava o coração e se permite um
pouco mais. Tragédia anunciada! A pessoa continua o papinho romance, convite
para vigem, pedido para te ver mais vezes, até se dá o direito a cortar o "vale night" do réveillon, tipo, “se ta me liberando para ficar com outras
pessoas, você não está liberada”.
O lance fica com cara de romance, ninguém disse nada, mas o
conteúdo dos encontros te induz a pensar que não é só mais um lance. Ledo
engano... Um lance é sempre um lance, não
é romance.
Se sentindo enganada você revida, a tal da ação e reação. E
ainda tem que ouvir que entendeu tudo errado. Ou as palavras mudaram de sentido
ou você enlouqueceu.
Tem uma frase que diz que “carinho é tocar o mundo do outro
com respeito”. Para mim isso implica em não criar expectativas, em
não inventar romances onde nem lance tem, em não dar chance à pessoa de “confundir”.
O combinado não sai caro, caro é o embutido no preço
sorrateiramente, que não teve acordo que nem foi cogitado. Um lance pode ser
ótimo e recíproco, só que é melhor quando é claro.
