Seria possível se relacionar com amor e sem confiança? Acho
difícil. O amor é MUITO importante, mas a falta de confiança mina qualquer
relacionamento, sem ela não há paz e sem paz o que sobra é a guerra, de nervos, de egos...
Estar na companhia do ser amado, rir, se divertir,
planejar... e tudo mais que se espera de
uma relação amorosa, é ótimo. Mas como ter humor com a mente ocupada pela
desconfiança? Planos em comum exigem parceria, companheirismo, quem fecha
parceria com quem não confia?
Entrar no jogo sem saber com quem está jogando é, no mínimo,
muito arriscado, se não for estupidez.
Pode-se viver anos com alguém sem o conhecer de verdade, alíás, só se conhece o que o outro
permite que seja conhecido. Somos muito mais do que os outros vêem, e com cada
um temos um limite de exposição. Mas ainda assim é importante conhecer o outro,
mesmo que dentro dos seus limites.
Em um relacionamento amoroso, ao menos na minha opinião, há
de ter uma entrega, o amor tem o dom de desnudar a alma. A casca externa se
quebra, perde-se um pouco da sensação de proteção, pronto, estamos vulneráveis.
Estar desnudo de alma para o ser amado não deveria ser razão
de preocupação, onde há amor, há cuidado, proteção... Opa! Haveria, se as pessoas
conseguissem ser um pouco menos egoístas. O interesse próprio, em boa parte dos
casos acaba superando os interesses comuns. Algumas pessoas agem puramente pela
satisfação pessoal sem se preocupar com as expectativas criadas.
Basta um motivo de desconfiança para derrubar seu castelo de
cartas. A desconfiança rouba a paz, a alegria, a vontade de planejar... quebra
a parceria.
O que posso dizer do amor que tive é que ele se desfez na
bruma da desconfiança. Ficou embaçado, distante, doente... pode até estar
guardado em algum céu dos amores que não deram certo, mas já não se faz presente para segurar a vontade de dividir, de estar junto, de partilhar e
compartilhar e viver as dores e delícias de uma vida a dois.
A expectativa virou medo, os planos viraram história, a
companhia não faz mais sentido. As vezes o amor morre quase ao nascer, mal
consegue dar os primeiros passos, e, ainda sem muita estrutura, não agüenta o
baque da decepção.
O amor não exige nada, nasce não sei onde, nem porquê, mas
se relacionar depende da interação, da troca, do convívio. Amor é muito coisa
de amizade, companheirismo, respeito e confiança. Não é sobre fidelidade, é
sobre lealdade. Acho digna uma relação onde existe a disponibilidade de ser
leal a si e ao outro.
Não, não é sobre o amor, é sobre a gente e o que a gente achou
que poderia ser...