É carinhoso, gentil, tem pegada, isso
tudo entre quatro paredes. Sair junto? Nem pensar. Andar de mãos dadas, meu
Deus, que sacrifício. Diz que com ela é diferente, mas não abre mão dos
contatos de primeiro grau com outras pessoas, ainda diz que é só sexo, machista
de uma figa.
Fala que gosta muito dela, que é
especial, mas deixa claro que não quer envolvimento, imagina estar “preso” a
uma relação ou a alguém? Não, isso está fora de cogitação.
A ideia de prender-se é subjetiva,
estar com alguém de verdade, por inteiro, enquanto poderia estar com qualquer
outra pessoa é liberdade para alguns. Para os maduros que sabem a importância
que tem poder escolher, que alguém especial não é para deixar escapar, não
aparece todos os dias.
Depois de encontros casuais
divertidíssimos ele volta para casa, sozinho, ou se despede da companhia sem um
chamego, nem café da manhã, um tchau frio, sem compromisso. Aliás, essa, em
geral, é a vida de quem escolhe companhias ao invés de companheira.
Isso é coisa de gente egoísta, que
pensa no seu prazer e dane-se a tal pessoa especial, mas a mantém por perto,
presa a nada. A tal, que poderia ser a companheira, fica reduzida a uma boa
companhia, do tipo que merece uma despedida menos fria e quem sabe um café da
manhã.
Um dia essa “candidata” a companheira
vai se cansar e querer um upgrade que não está nos planos dele, aí, não há
carência, desejo, ou o que quer que seja que a segure ao lado dele. Um dia ela
vai querer alguém inteiro e não uma metade que se encaixa em tantas vidas sem
fazer parte de nenhuma delas.
Talvez seja libertador para ambos, mas
sempre há o risco de querer valorizar o que perdeu e não enxergou enquanto
poderia ter. Nesse caso terá que contar com a sorte dela repensar a decisão, o
que pode ser difícil, afinal, como confiar em um sentimento assim?
O que a intriga é que ele já se
entregou a outras pessoas, por que agora fica tão difícil ficar com alguém se
diz que é especial? Quer saber, ela não é especial, é mais uma, mas cometeu o
erro crasso de se envolver um pouco mais, querer bem mais do que deveria, ela
errou, mas ele foi permissivo. Ser cuidado por alguém é tão bom que vicia, no
fim, o cuidado dela é que é especial, ela não.
Ele não a quer, ele quer a pseudo-segurança
que ela representa. Assim mantém o ciclo perfeito, liberdade quando se quer
liberdade e carinho quando só sexo não preenche.
A pessoa sabe quando encontra alguém
especial de verdade, a não ser que seja muito desatenta, e se fosse esse o
caso, não haveria a necessidade das outras para comprovar a liberdade. Alguém
especial preenche a vida.
Meu caro, ela vai se cansar! Porque
até carência tem limite.

