As pessoas tem necessidade de apontar defeitos nas outras,
agressões gratuitas, pequenas falas e gestos para diminuir o outro, mesmo o
outro sendo ou acreditando ser amigo. As vezes esse fogo amigo passa despercebido,
outras a sensibilidade aflorada
registra.
Porque não falar da sua própria vida? Será que a vida do
coleguinha é tão mais interessante? Ou será que as desventuras alheias lhe
colocam numa posição superior, tipo, tadinho ele só faz besteira, já eu, sou
tão bacana, correto, o máximo.
Na presença de amigos a gente tende a sentir mais a vontade,
mesmo em certas “privações de sentido”, se sente seguro, afinal, quantas vezes não
foi o amigo que precisou da sua força, além de outras tantas nas quais perderam
as forças juntos... Seria tudo normal até você ouvir o amigo relatando as suas
desventuras em série, como um bastião da lisura. Gente, falem das suas próprias
desventuras, ou das suas aventuras, tenha uma vida interessante para falar por
si.
Essa sensibilidade à flor da pele amplia os sentidos,
audição e visão ficam mais afloradas. Alguns confundem isso com impaciência e
intolerância, eu chamo de senso de realidade aguçado. As vezes é melhor não
sentir tanto...
