Ser feliz é ótimo, aliás, é uma meta de vida, pelo menos eu
não conheço ninguém que viva para ser infeliz. Mas a ditadura da felicidade me
incomoda, a necessidade de se mostrar feliz o tempo todo me desperta
desconfiança. Existe alguém feliz 24 horas por dia, 365 dias por ano?
Não sou a favor de arrastar correntes por todos os
problemas, eles existem e se podem ser resolvidos que o sejam e se não, que se
ache a melhor forma de conviver com o inevitável. Nem todo dia é um dia feliz,
acho até saudável, ajuda a valorizar os dias felizes, as tais horinhas de
descuido.
Me assustam as pregações de felicidade constante e da
aversão ao sofrimento alheio. Cada qual deve viver e sentir o que for real, o
que tem para viver no momento. Até porque, se não for assim, não é verdadeiro,
são máscaras usadas para se inserir nos contextos sociais.
Por fim, gosto de gente de verdade, que ri, que chora, que é
fiel a si e aos seus, que vive intensamente o que tem para viver, gente de
verdade, não simples perfis de redes sociais exalando perfeição e felicidade
forçadas.
Que sejamos felizes, mas que, principalmente, sejamos
verdadeiros! Abaixo a todas as ditaduras!
